domingo, 30 de maio de 2010

Se casarem, não mudem de personalidade, por favor

Quando o filme «O sexo e a cidade» esteve no cinema, não fui ver. Achei a coisa demasiado «rosa» para gastar esse dinheiro num bilhete e acabei sempre por ver outras coisas que estavam em cartaz.

Hoje, o filme deu na TVI, à tarde, e enquanto trabalhava frente ao computador (sim, porque isto de ser feriado na quinta-feira tem que se lhe diga e obriga-me a trabalhar por antecipação), acabei por dedicar mais atenção ao dito cujo do que as obrigações que tinha à minha frente.

Isto tudo para ir parar ao tema que me interessava: o casamento, que é, aliás, a locomotiva de toda a historia do filme. Nunca percebi porque é que as pessoas quando estão à beira dos 30 entendem que têm de casar fazer disso uma obrigação. «Porque depois é tarde de mais», é o argumento que mais utilizam. O que, obviamente, não me convence: há quem case aos 70.

Muitos dos meus melhores amigos e amigas - não são assim tantos como isso - já caíram na «tentação» e ei-los agora casados e com filhos nas mãos. Se isso lhes aumentou a felicidade? Eles dizem que sim, mas eu não leio isso no brilho dos olhos deles.

Inevitavelmente, as conversas giram agora à volta de fraldas e infantários. Nessas alturas, deixo de ter assunto de conversa e apetece-me começar a falar do tempo. Não são mais as pessoas criativas que eu conheci na universidade e isso dá-me saudades de ter essas mesmas pessoas de volta.

Serei albino?

Acho que estou a ficar albino. Bastou sair de casa em manga curta e praticamente fiquei com um mini-escaldão nos braços.

Já tenho protector 50+. Este ano não pode mesmo haver esquecimentos: mesmo no final do Verão, sou capaz de ficar com escaldão se alguma das vezes não puser protector.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Silence becomes it

Gostava de voltar a ter aquele mesmo olhar «parvo» para a vida quando, no final dos anos 90, me deixava embevecer com as músicas dos extintos «Silence 4» e pensava que o amanhã seria sempre melhor.

Frustração

Por não estar lá, adoptei a resolução de nem sequer querer ouvir os concertos que hoje estão a ser transmitidos em directo, pela RFM, do Rock in Rio. Contudo, a vontade foi mais forte e lá liguei eu o rádio. Contudo, apenas ouvi migalhas. O star sistem da banda e seus patrocinadores - leia-se produtores - não autorizaram a transmissão em directo do concerto de Muse. Em alternativa, estão a passar pequenos excertos, intercalados com alguns dos melhores momentos dos Xutos e Pontapés: «a vida é sempre a perder», ouve-se. Em determinados momentos e dias, é. Sempre tentei não me vincular ao excessivo pessimismo de muitas das suas músicas, mas dou por mim a ser vencido em alguns casos.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Reminder

Se puderem, no fim-de-semana, ajudem. Isto está mau para muita gente, mas dois ou três euros em alimentos já são uma contribuição. Tenho medo dos tempos que se avizinham.

domingo, 23 de maio de 2010

Constatação

Tenho medo das pessoas (que aparentam ser) demasiado boazinhas.

Façam contas, muitas contas!

Estive a fazer contas, algo que se tornou muito mais habitual nos últimos meses e semanas. Para planear a longo prazo, ficam aqui uns vídeos de síntese. No meio da nuvem noticiosa, estes são dois bons resumos.

20 Maio 2010



21 Maio 2010



Sobretaxa de IRS vai penalizar salários mais baixos

Com a entrada em vigor das novas tabelas, um contribuinte solteiro e sem filhos com um salário mensal até 580 euros, que até agora estava isento de pagamento de IRS, vai a partir de um de Junho descontar um por cento do seu salário para os cofres do Estado.



Agravamento de IRS vai incidir sobre os rendimentos correspondentes a sete meses


O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, as novas taxas de IRS vão aplicar-se ao ano todo de 2010. Contudo, a tabela que foi elaborada é feita de modo a apenas considerar um agravamento correspondente a 7 meses do ano. A altura em que o subsídio de férias será pago é assim indiferente.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Uma questão de prioridades (civilizacionais, também)

Será que problemas menores, significam pessoas com direitos menores? É que se sim, é o próprio PR que está a abrir um problema discriminatório. Ainda assim, é de saudar o avanço civilizacional de Portugal dado hoje às 20h15 (20h20 para se ser mais preciso). E não acho que ninguém precisa de ficar preocupado. Vão ver que tudo vai continuar igual (discriminação, crise, desemprego, etc.).

Ao menos, fico contente por não ser
bielo-russo (o link refere-se a um vídeo, não ao cartoon).

Lisboa, 17 de Maio de 2010

Declaração do Presidente da República sobre o Diploma da Assembleia da República que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo

A Assembleia da República aprovou no passado mês de Fevereiro, uma lei que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

É de lamentar que não tenha havido vontade política para alcançar um consenso partidário alargado sobre uma matéria de tão grande melindre, de modo a evitar clivagens desnecessárias na sociedade portuguesa.

Face à grave crise que o País atravessa e aos complexos desafios que tem à sua frente, importa promover a união dos Portugueses e não dividi-los, adoptar uma estratégia de compromisso e não de ruptura.

As forças partidárias que aprovaram o diploma não quiseram ponderar um princípio elementar da acção política numa sociedade plural: o de escolherem, de entre as várias soluções jurídicas, aquela que fosse susceptível de criar menos conflitualidade social ou aquela que pudesse ser aceite pelo maior número de cidadãos, fosse qual fosse a sua visão do mundo.

Considero que não teria sido difícil alcançar um compromisso na Assembleia da República se tivesse sido feito um esforço sério nesse sentido.

Bastava ter olhado para as soluções jurídicas encontradas em países como a França, a Alemanha, a Dinamarca ou o Reino Unido que, como é óbvio, não são discriminatórias e respeitam a instituição do casamento enquanto união entre homem e mulher.

Nesses países, à união de pessoas do mesmo sexo foram reconhecidos direitos e deveres semelhantes aos do casamento entre pessoas de sexo diferente, mas não se lhe chamou casamento, com todas as consequências que daí decorrem.

Aliás, no mundo inteiro, só em sete países é designada por “casamento” a união entre pessoas do mesmo sexo. Dos 27 Estados da União Europeia são apenas quatro aqueles que o fazem.

Não é, portanto, verdadeira a afirmação de que a inexistência do casamento entre pessoas do mesmo sexo corresponde a um fenómeno residual no mundo contemporâneo, um resquício arcaico típico de sociedades culturalmente mais atrasadas.

Não me parece que alguém, honestamente, possa qualificar o Reino Unido, a Alemanha, a França, a Suíça ou a Dinamarca como países retrógrados.

O diploma da Assembleia da República, que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, foi por mim submetido à fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional, tendo por este sido considerado não inconstitucional.

Tal não impede, contudo, que o Presidente da República possa ainda utilizar o poder de veto que a Constituição lhe confere e devolver o diploma ao Parlamento.

Importa, no entanto, ponderar os efeitos práticos de uma tal decisão e ter em devida conta o superior interesse nacional, face à dramática situação em que o País se encontra.

Conhecidas que são as posições expressas aquando do debate do diploma na Assembleia da República, tudo indica que as forças políticas que o aprovaram voltariam a aprová-lo.

Nessas circunstâncias, o Presidente da República seria obrigado a promulgá-lo no prazo de oito dias.

Sendo assim, entendo que não devo contribuir para arrastar inutilmente este debate, o que acentuaria as divisões entre os Portugueses e desviaria a atenção dos agentes políticos da resolução dos problemas que afectam gravemente a vida das pessoas.

Como Presidente da República não posso deixar de ter presente os milhares de Portugueses que não têm emprego, o agravamento das situações de pobreza, a situação que o País enfrenta devido ao elevado endividamento externo e outras dificuldades que temos de ultrapassar.

Os Portugueses recordam-se, certamente, de que na minha mensagem de Ano Novo alertei para o momento muito difícil em que Portugal se encontra e disse mesmo que podíamos “caminhar para uma situação explosiva”. E disse também que não é tempo de inventarmos desculpas para adiar a resolução dos problemas concretos dos Portugueses.

Há momentos na vida de um País em que a ética da responsabilidade tem de ser colocada acima das convicções pessoais de cada um.

Assim, decidi promulgar hoje a lei que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

Conversa de café

Por que razão o tempo bom e quente começa sempre às segundas-feiras e desvanece às sextas-feiras?