Há dois dias, assim que o Blogger colocou um novo botão no painel, com opções de design – onde um balão se auto-abria, sugerindo templates – veio logo o Velho do Restelo que há em mim ao de cima. «O que é que estes querem agora? O design que escolhi está bem como está e não é agora que há mais bonecada que vou mudar», pensei.
Horas depois, começo a reparar que alguns dos blogues que visito tinham alterado os layouts, ao ponto de ter até dificuldade em os reconhecer (com mais ou menos intensidade, é inegável que os símbolos e signos visuais também são sinónimo de pertença e de identificação).
Pensamento imediato da minha parte: «eles arriscaram e eu não; eu quis manter tudo como estava». Dirão os mais conservadores: «se ele é assim num blogue, também é assim para a vida».
Não deixarão de ter alguma razão, mas facto é que primeiro terei de analisar se vale a pena mudar. E isto vale para o um simples blogue, como para a vida, como para um emprego.
Não é que não queira mudar. Isso não está automaticamente posto de parte! Mas tenho de analisar se isso vai trazer alguma coisa de bom. Porquê? Porque as cores actuais do blogue fui eu quem as escolhi, porque o desenho do Keith Haring fui eu quem o digitalizou, porque os elementos da página tiveram a sua coerência para ser escolhidos. Houve investimento pessoal e afectivo nas coisas.
E no fundo, é isso. Creio que só vale a pena mudar se essa mesma mudança fizer sentido, se for boa para mim e para os outros, se tiver significado. É por isso que optei por valorizar o que tinha escolhido em vez de seguir para um modelo pré-formatado, pronto a consumir.
Evidentemente que não estou a censurar quem o fez, antes pelo contrário. Admiro a capacidade de mudança e a tenacidade pessoal em não permanecer agarrado às normas de sempre, às mesmas rotinas. Mas há uma certa constância que preciso para sentir que as coisas não estão fugir, que os meus elementos de sempre e que me dão segurança estão lá.
No fundo, é como ter ou não apego aos objectos. E, nesse campo, sou um exemplo terrível: tudo o que tenho guardado tem um significado: o bilhete do concerto de há três anos, a concha da praia, o velho caderno de apontamentos, o jornal do acontecimento marcante ou o postal de há 10 anos atrás.
Se guardar as memórias me dá conforto? Dá. Se tudo isto dá trabalho e ocupa espaço? Nem vale a pena comentar. Se implica investimento afectivo? Oh yeah!
Mas não desisti de mudar. Melhor, de EVOLUIR.