segunda-feira, 28 de junho de 2010

Alguma vez teremos direito a ser burros?

Há dias em que me sinto burro, com vontade de desistir, mas nem a isso tenho direito. Perante o mundo exterior tenho de continuar a sorrir, a transpirar competência e eficiência. Viva o pós-modernismo, o taylorismo e outros «ismos» afins. Só não funciono a gasóleo, mas às vezes sinto que entrei numa espiral mecânica.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Futebol radiofónico

Não sou muito fervoroso em relação ao futebol, mas gosto imenso de acompanhar uma partida decisiva pela telefonia! E viajar de carro enquanto se acompanha o jogo ainda é mais divertido! No fundo, é o ressuscitar das radio-novelas.

PS: E não é que gosto desta expressão: telefonia.

Pós (qualquer coisa)


Hoje, na Assembleia da República, ouviu-se falar em atitudes, política e políticos pós-modernos. Assim, dá gosto ouvir debates quinzenais (a leitura desta frase deve ser acompanhada por um sorriso sarcástico).

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Experiência sociológica

P: E sabem onde se pode ter tamanha experiência sociológica?
R: No Minipreço. E só por lá estive vinte minutos.

Ora vejamos:

- Oiço simultaneamente Depeche Mode e o antiquíssimo «This is the rithm of night» (que me deu vontade de re-ouvir)

- Vejo casais a tentarem reconciliar-se nos corredores

- Vê-se pessoas que fazem esforços para poupar e outras que compram o que lhes aparece à frente

- Vê-se quem compra comida pré-feita ou quem prima por cozinhar

- Vê-se crianças mal-educadas e a fazer birra por causa de um chocolate

- Vê-se as pessoas que lutam para passar à frente quando abre outra caixa para pagamentos

- Já para não falar daquelas pessoas que escolhem e viram do avesso toda a fruta para tirar a melhor (e os outros que comprem o que elas já esmagaram)

- E lista continua (...)


Conclusão: mostra-me o teu comportamento no supermercado, dir-te-ei como és.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Uma possível resposta

Respondendo, em parte, às questões de ontem, deixo o excerto de um texto que hoje se cruzou comigo, da autoria de José Saramago. Não concordo com tudo o que é dito, mas encontrei algumas explicações. A versão completa pode ser vista aqui.

É verdade que podemos votar, é verdade que podemos, por delegação da partícula de soberania que se nos reconhece como cidadãos eleitores e normalmente por via partidária, escolher os nossos representantes no parlamento, é verdade, enfim, que da relevância numérica de tais representações e das combinações políticas que a necessidade de uma maioria vier a impor sempre resultará um governo. Tudo isto é verdade, mas é igualmente verdade que a possibilidade de acção democrática começa e acaba aí. O eleitor poderá tirar do poder um governo que não lhe agrade e pôr outro no seu lugar, mas o seu voto não teve, não tem, nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a única e real força que governa o mundo, e portanto o seu país e a sua pessoa: refiro-me, obviamente, ao poder económico, em particular à parte dele, sempre em aumento, gerida pelas empresas multinacionais de acordo com estratégias de domínio que nada têm que ver com aquele bem comum a que, por definição, a democracia aspira. Todos sabemos que é assim, e contudo, por uma espécie de automatismo verbal e mental que não nos deixa ver a nudez crua dos factos, continuamos a falar de democracia como se se tratasse de algo vivo e actuante, quando dela pouco mais nos resta que um conjunto de formas ritualizadas, os inócuos passes e os gestos de uma espécie de missa laica.

Já agora, também gostei deste texto.

Uma questão semântica

É curioso que, quando há eleições, apela-se ao voto do «povo».
Depois, quando precisamos da Europa, fala-se em «cidadãos».
E quando se pede esforços e contenção orçamental, apela-se à compreensão dos «portugueses».

E se eu fizer birra e quiser apenas ser «pessoa»?

terça-feira, 15 de junho de 2010

Teoria da noite


Invariavelmente, é à noite que consigo ver com maior nitidez e pensar de forma mais fluída.

Provocação(zinha)

Gostava de ser mosca (só por uns breves minutos!) para ver as técnicas laborais de como parecer que se está muito atento ao trabalho, hoje, entre as 15 e as 17 horas, quando de facto se está a milhas de distância! Acho que se vai provar que o Twitter pode vir a ganhar mais algumas funcionalidades.

domingo, 13 de junho de 2010

Mudar?

Há dois dias, assim que o Blogger colocou um novo botão no painel, com opções de design – onde um balão se auto-abria, sugerindo templates – veio logo o Velho do Restelo que há em mim ao de cima. «O que é que estes querem agora? O design que escolhi está bem como está e não é agora que há mais bonecada que vou mudar», pensei.

Horas depois, começo a reparar que alguns dos blogues que visito tinham alterado os layouts, ao ponto de ter até dificuldade em os reconhecer (com mais ou menos intensidade, é inegável que os símbolos e signos visuais também são sinónimo de pertença e de identificação).

Pensamento imediato da minha parte: «eles arriscaram e eu não; eu quis manter tudo como estava». Dirão os mais conservadores: «se ele é assim num blogue, também é assim para a vida».

Não deixarão de ter alguma razão, mas facto é que primeiro terei de analisar se vale a pena mudar. E isto vale para o um simples blogue, como para a vida, como para um emprego.

Não é que não queira mudar. Isso não está automaticamente posto de parte! Mas tenho de analisar se isso vai trazer alguma coisa de bom. Porquê? Porque as cores actuais do blogue fui eu quem as escolhi, porque o desenho do Keith Haring fui eu quem o digitalizou, porque os elementos da página tiveram a sua coerência para ser escolhidos. Houve investimento pessoal e afectivo nas coisas.

E no fundo, é isso. Creio que só vale a pena mudar se essa mesma mudança fizer sentido, se for boa para mim e para os outros, se tiver significado. É por isso que optei por valorizar o que tinha escolhido em vez de seguir para um modelo pré-formatado, pronto a consumir.

Evidentemente que não estou a censurar quem o fez, antes pelo contrário. Admiro a capacidade de mudança e a tenacidade pessoal em não permanecer agarrado às normas de sempre, às mesmas rotinas. Mas há uma certa constância que preciso para sentir que as coisas não estão fugir, que os meus elementos de sempre e que me dão segurança estão lá.

No fundo, é como ter ou não apego aos objectos. E, nesse campo, sou um exemplo terrível: tudo o que tenho guardado tem um significado: o bilhete do concerto de há três anos, a concha da praia, o velho caderno de apontamentos, o jornal do acontecimento marcante ou o postal de há 10 anos atrás.

Se guardar as memórias me dá conforto? Dá. Se tudo isto dá trabalho e ocupa espaço? Nem vale a pena comentar. Se implica investimento afectivo? Oh yeah!

Mas não desisti de mudar. Melhor, de EVOLUIR.