Já toda a gente deve ter ouvido falar da história do homem sem rosto do Rossio, que esta semana foi operado nos EUA, depois de ter passado vários anos no Rossio, onde costumava estar a pedir.
Eu próprio me envergonho de tantas vezes ali ter passado e de nunca ter feito nada. Como a generalidade das pessoas. Mas o pior é que há muitos homens e mulheres sem rosto em Lisboa, Porto e seja onde mais for. Pessoas por quem passamos todos os dias, a quem já fixámos os rostos e gestos. Pessoas que acabam, não direi por fazer parte da paisagem, mas do quotidiano. Quem não recorda dos homens que andam a pedir dentro das carruagens do metro? Ou da senhora que costuma estar na Rua Augusta?
Faz agora algum tempo falou-se daquele idiota que colocou experimentalmente um cão preso à porta de um museu. Toda a gente visitava a exposição, via o cão preso, mas ninguém fazia caso. Passados alguns dias, o animal acabou por morrer à fome e sede. O episódio foi brutalmente censurado e eu próprio condenei essa atitude mas, no fundo, sem muita moral.
Afinal, também eu passo diariamente por pessoas a quem deveria estender a mão. Todos passamos… E bem sei que este texto pouco ajudará a mudar o que quer que seja. É por isso que admiro quem faz voluntariado. Já o fiz ao nível associativo/cultural e posso dizer que é enriquecedor.
Mas quanto à história do homem sem rosto, é uma lição para toda a gente. Os happy endings devem também servir para alguma coisa.
Mais uma...
Há 52 minutos




