sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Por vezes, há lições a tirar dos happy endings

Já toda a gente deve ter ouvido falar da história do homem sem rosto do Rossio, que esta semana foi operado nos EUA, depois de ter passado vários anos no Rossio, onde costumava estar a pedir.

Eu próprio me envergonho de tantas vezes ali ter passado e de nunca ter feito nada. Como a generalidade das pessoas. Mas o pior é que há muitos homens e mulheres sem rosto em Lisboa, Porto e seja onde mais for. Pessoas por quem passamos todos os dias, a quem já fixámos os rostos e gestos. Pessoas que acabam, não direi por fazer parte da paisagem, mas do quotidiano. Quem não recorda dos homens que andam a pedir dentro das carruagens do metro? Ou da senhora que costuma estar na Rua Augusta?

Faz agora algum tempo falou-se daquele idiota que colocou experimentalmente um cão preso à porta de um museu. Toda a gente visitava a exposição, via o cão preso, mas ninguém fazia caso. Passados alguns dias, o animal acabou por morrer à fome e sede. O episódio foi brutalmente censurado e eu próprio condenei essa atitude mas, no fundo, sem muita moral.

Afinal, também eu passo diariamente por pessoas a quem deveria estender a mão. Todos passamos… E bem sei que este texto pouco ajudará a mudar o que quer que seja. É por isso que admiro quem faz voluntariado. Já o fiz ao nível associativo/cultural e posso dizer que é enriquecedor.

Mas quanto à história do homem sem rosto, é uma lição para toda a gente. Os happy endings devem também servir para alguma coisa.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Solução barata para não sentir as medidas de austeridade


Quase dez por cento da população portuguesa está adormecida com antidepressivos. Dizem as estatísticas. Por isso, não creio que a ideia da ministra da Saúde, Ana Jorge, que se diz empenhada em reduzir as prescrições de psicofármacos, seja uma decisão feliz.

Olhem esse quase milhão de pessoas a entrar em rebelião?! Ao menos, assim continua-se a construir uma felicidade aparente. São as vantagens das redomas de vidro. Depressivos deste país, uni-vos por um futuro mais cor-de-rosa!

Aliás, acho que essa será mesmo a solução mais económica para acalmar os ânimos perante as medidas de austeridade que se avizinham. Para andar à deriva, já bastam os submarinos do Portas. Ao menos, ponham os portugueses a dormir (ainda mais). Seremos um povo mais feliz! E teremos verdadeiras razões para não actuar. Até agora, isso só poderia ser justificado com inércia.

sábado, 9 de outubro de 2010

Geração Canguru ou sinais dos tempos?

Quase metade dos homens entre os 25 e os 34 anos, em Portugal, ainda vive em casa dos pais. Segundo o Eurostat, em metade desses casos, a falta de emprego ou um trabalho precário é apontado como o principal motivo.

Os dados do gabinete de estatística europeu indicam que Portugal está no top seis dos países europeus em que os jovens têm mais contratos a termo do que vínculos sem prazo, o que os leva a adiarem a saída de casa dos pais.

Nas mulheres, a percentagem de jovens entre os 25 e 34 anos que ainda vivem com os pais é mais baixa (34,9 contra 47,6 nos homens) porque, segundo o Eurostat, têm tendência para se casar e sair de casa mais cedo. Entre os 18 e 24 anos, os estudos são o principal motivo para não sair de casa.



Notícia que poderá ser escrita daqui a cinco anos:


Dois terços dos homens entre os 25 e os 40 anos, em Portugal, ainda vive em casa dos pais ou dos avós. Segundo os números revelados pelo Eurostat, na quase totalidade desses casos, a falta de emprego é apontado como o principal motivo.

Os dados do gabinete de estatística europeu indicam que Portugal está no top one dos países europeus em que os jovens têm mais contratos a termo ou que desempenham funções de estágio não remunerados, o que os leva darem como definitiva a permanência em casa dos pais.

Nas mulheres, a percentagem de jovens entre os 25 e 34 anos que ainda viviam com os pais era mais baixa (34,9 contra 47,6 nos homens), mas a falta de condições económicas dos casais está a adiar sine die a decisão de contrair matrimónio ou de sair de casa.

A redução do número de matrimónios está igualmente a originar uma quebra na prevalência de divórcios. O sectores ligados à organização de eventos estão a registar quebras superiores a 20 por cento.

As conservatórias falam já em recordes mínimos de afluência. As reduções estão a estender-se ao número anual de recém-nascidos. A maternidade Alfredo da Costa há muito que suspendeu os concursos para novas contratações.

Em declarações à imprensa, o ministro da Segurança Social afirmou existirem mais de dois milhões de reformas em risco. «O sector colapsou», reconheceu.

E digam lá: quem é que ainda precisa de ir ao astrólogo? :)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sinais de época

Entram de mansinho, mas para mim são um dos primeiros sintomas de que o Outono se instala a passos largos, ao mesmo tempo que se vão alertando as mentes que o Natal está a chegar (nãaaaao)!

Falo dos spots televisivos dos perfumes que, para mim, quase atingem o estado da arte ou, pelo menos, andam lá perto. Sobretudo aqueles que se revestem de pequenas histórias, com argumentos curtíssimos, que oscilam entre os 30 segundos e os dois minutos, na versão longa.

Este ano, apenas vi um que me chamou a atenção, pela novidade, que foi o novo perfume da 212.

No entanto, para mim os anúncios do Chanel n.º 5 representam o que de melhor se fez neste segmento da publicidade (cosméticos). E claro, tenho ainda de fazer referência ao clássico spot do Egoïste, curiosamente também da Chanel. Outro clássico.


Novo anúncio do 212 VIP:



Egoïste:



E o meu favorito de todos os tempos / The new Chanel n.º5:

domingo, 3 de outubro de 2010

Política melão

E porque as eleições presidenciais em Portugal se estão a aproximar e a pré-campanha já está na rua (hoje já vi cartazes do Manuel Alegre, por exemplo), eis algumas das ideias que podem ser importadas para este lado do Atlântico.

Do lado de lá, no Brasil, para as eleições de hoje, entre pêras e melões (vejam e percebam porquê), é assim que se dão as cartadas.

Ok, pode ser política folclórica, mas ao menos isso é completamente assumido e não se reveste de máscaras, como se faz por cá.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Aviso

Façam o favor de não jogar no Euromilhões esta semana, ok?
Eu não quero dividir o prémio, tá?! :)
Se me sair, eu prometo um jantar (mas dentro da Lisboa Restaurant Week, para ninguém se habituar mal)! LOL

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Estamos F******* (tramados)


Sempre me lembro de ter ouvido as minhas avós dizer coisas como «no nosso tempo havia muita fome e só bebíamos leite quando alguém estava doente porque não dava para mais» e outras coisas do género que, em pleno século XXI, nos parecem longínquas.

Da mesma maneira que sempre pensei que, até aos tinta anos, conseguiria ter a minha vida organizada, ter a minha casa própria, and so on (sonhar ainda não se paga, por enquanto).

Eis hoje que fico a saber que vou ainda ficar mais pobre. Não que receba ordenado do Estado, que isso não aconteceu, mas que vou perder ainda mais poder de compra, enfrentar mais austeridade, etc.

Sinceramente, como posso fazer planos de futuro – pelo menos em tempos materiais – com perspectivas destas. Tirei uma licenciatura e uma pós-graduação, trabalho desde os 22 anos, estive vários anos a recibos verdes e hoje, aos 29, ainda dependo da minha mãe para não ter de optar entre ter de comprar comida ou ter roupa para vestir.

Sim, sei que o texto está negativo e tal, mas ouvia hoje na Antena 1, quando vinha para casa, que, numa economia aberta, era melhor que as pessoas se fossem habituando, porque «nada voltaria a ser como dantes».

Lembram-se de quando o IVA, aqui há uns dois anos, baixou de 21 para 20, porque já era, alegadamente, possível ter alguma folga orçamental. Lembram-se de os preços terem baixado nessa ocasião? Pois, eu também não… Acham que, agora anunciado que está o aumento do IVA para 23 por cento, que os preços mais algum dia mais irão descer? Creio que também já sabem a minha resposta…

Depois de feitos os cortes a uma série de subsídios, acham que mais alguma vez vão voltar a ter os montantes que tinham? Claro que não (atenção que não defendo a subsiodependência, mas apenas o que é justo)! Poder-se-á dizer «ah, e tal, agora vamos finalmente aprender a viver com menos e vai servir de exemplo para o futuro». Não creio.

P: Já agora, só mais uma coincidenciazinha: já viram quando é que este novo pacote de medidas foi aprovado?!

R: Dias depois de o Presidente da República, constitucionalmente, já não poder dissolver nenhum Governo.

Acho que vou começar a pensar em emigrar. Aliás, acho que estamos a regressar ao passado. Só espero não chegar ao extremo das avós.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Quem manda?



Mais aqui.

sábado, 25 de setembro de 2010

Texturas


– És complicado! –, ouvi do outro lado da linha!
– Prefiro outra descrição, gosto mais que me observes como uma pessoa densa… –, retorqui.
– Por que não pode ser tudo mais simples? –, continuaste.
– Preciso de um certo abismo controlado para estar equilibrado.
– Isso não é destrutivo?
– Bem pelo contrário.
Fez-se um silêncio prolongado (…).

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Afinal havia outro

Depois da versão original publicada pelo Zoninho e do remake já mostrado pelo X, parece que agora há mais um candidato a Ministro(a) da (des)Educação! Mas lá que o puto apanhou a caricatura, não há dúvida!




Para comparação, a versão original (onde curiosamente os comentários foram desactivados):